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“Estética: a arte no tempo e a experiência dos objectos”

Docente: Professor Doutor José Carlos Francisco Pereira
(5.ª feira das 18h30 às 20h30) 

 

1. Enquadramento
Nas suas diversas formulações e dimensões epistemológicas, a problemática estética constitui o território no qual a arte se articula com as outras esferas do humano, particularmente num tempo em que a interpretação e a compreensão das obras de arte, e dos objetos estéticos, exigem uma reflexão que supere o círculo psicologista, abrindo-se a novas formas de entender o fenómeno estético.
Tendo em conta a complexidade crescente das diversas manifestações artísticas, torna-se imperioso fazer o seu enquadramento não apenas do ponto de vista histórico, mas também do ponto de vista ontológico, fenomenológico, e linguístico, entre outros, dadas as possibilidades que as suas diversas metodologias oferecem para a compreensão da dimensão estética. Tendo em conta a revalorização crescente da própria experiência estética como modo de actualização do próprio sentido do humano, a intensa produção cultural e artística do século XXI parece exigir um novo modo de olhar e viver os bens culturais, a partir do levantamento dos referentes plásticos, simbólicos, filosóficos, semiológicos, entre outros, aos quais está vinculada. Neste sentido, o conhecimento das implicações, dos limites e, por vezes, da contaminação das diversas esferas artísticas (escultura, pintura, fotografia, cinema, dança, teatro, música ou literatura) contribuem para uma melhor fundamentação não apenas do juízo, nas questões relacionadas com a artisticidade inerente a certas produções humanas, como poderá ajudar a uma mais profunda e profícua construção da subjectividade. Deste modo, as raízes ocidentais de uma cultura artística e estética radicam numa historicidade que exige um horizonte de permanente inquirição e consequente re-interpretação, facilitando, dessa maneira, não apenas a sua reconstituição, ao nível do sentido, mas, acima de tudo, a renovação do próprio sujeito como entidade a fazer-se num permanente devir. 
 
 
2. Metodologia de Trabalho
As sessões letivas terão sempre como base a projeção da totalidade ou parcialidade de um objeto ou obra de arte (pintura, escultura, vídeo, fotografia, instalação, entre outras possibilidades), procedendo-se ao seu enquadramento e contextualização histórica, estética e artística, de modo a que os nexos e os valores nela presentes possam não apenas aflorar mais claramente a uma possibilidade discursiva, como balizar o domínio onde o pensamento e o sentimento se constituem de modo simultâneo e complementar. Na verdade, o domínio do sensível, tal como fora constituído a partir do legado ilusionista kantiano, parece requerer não apenas uma explicitarão dos seus aspetos mais subtis, como demanda uma revisão das suas próprias aportações no domínio das relações do juízo estético com a arte e com a própria natureza, a partir da transcendentalidade do sujeito. Neste sentido, as consequências do romantismo, particularmente nos domínios da pintura, da   poesia   e  da   escultura, haverão   de  estimular   uma   nova   compreensão do que historicamente se entendeu pela possível doação,  constituição ou determinação da própria natureza humana, a partir dos valores da liberdade e da beleza.  
O curso de estética procurará, deste modo, sensibilizar os alunos para os conceitos, as teorias e as correntes referenciais no que se refere ao âmbito estético, privilegiando a sua especificidade artística. Para além dos conceitos, das teorias e das correntes referenciais, o curso privilegiará o debate de ideias tendo em vista já a leitura fundamentada já a fruição livre e plena da obra de arte.
 
 
3. Objetivos
Tendo em conta as especificidades da Instituição, assim como o informado nível dos participantes, procurar-se-á, acima de tudo, o aprofundamento da compreensão das problemáticas artísticas e estéticas abordadas a partir do desenvolvimento dos vários pontos do programa, seja de um ponto de vista formal, conceptual, simbólico, fenomenológico, ontológico, linguístico, entre outros possíveis, dentro de uma adequada e requerida transdisciplinaridade. 
 
 
4. Programa
O Legado Antigo: da filosofia à literatura.
O Legado Clássico: Platão e Aristóteles.
O Legado Medieval: Aurélio Agostinho e Tomás de Aquino.
Arte e Estética no Renascimento: Alberti e Leonardo da Vinci.
A Estética Moderna: Baumgarten e a tentativa de constituição da estética como ciência. Os contributos de Lessing e Winckelmann.
As Antinomias Kantianas e a Autonomia do Sujeito (juízo estético; arte e natureza; arte e moralidade.
 A Superação da Arte e a Estética Hegeliana
A Transição para o Século XX. As Vanguardas: formalismo e espiritualismo.
As Neo-vanguardas e o Legado do Modernismo. Do Expressionismo Abstracto à Arte Conceptual.
10. Formalismo e Criticismo americano: o legado de Clement Greenberg.
11. Arte como Acontecimento e Experiência; as relações arte-natureza; artes plásticas e teatro.
11.1 Land Art, Landscape Art e Earthworks.
12. A viragem linguística da filosofia e a experiência fenomenológica.
12.1 Heidegger e a concepção ontológica da obra de arte. A compreensão como modo de conhecer: a poesia de Holderlin.
12.2 H.-G. Gadamer: a hermenêutica filosófica e a Tradição. A poesia de R. M. Rilke.
12.3 P. Ricoeur e os símbolos. A compreensão como modo de ser: M. Proust e Thomas Mann.
13. A Estética e a Arte em Portugal no Século XX: do modernismo ao neo-realismo. Teorias e manifestações estéticas.
⦁ A Abertura da década de 1970: da Alternativa Zero às Novas Gerações.
 


Mais informações: inscricoes.cfa@snba.pt