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Currículo da Sociedade Nacional de Belas-Artes

 

Na história da Sociedade Nacional de Belas-Artes, muitos factos relevantes da sua acção cultural são do conhecimento geral. Pioneirismo, diversidade, experimentação, democraticidade caracterizam a actividade que concretiza o que está disposto no artigo 1º dos Estatutos:

"A Sociedade Nacional de Belas-Artes, associação de cultura fundada em 16 de Março de 1901 e reconhecida como Instituição de Utilidade Pública por Lei 282 de 28 de Outubro de 1914, com sede na Rua Barata Salgueiro, em Lisboa, tem como principal objectivo promover e auxiliar o progresso da Arte em todas as suas manifestações, defender os interesses dos artistas e, em especial dos seus associados, procurando auxiliá-los, tanto moral como materialmente; cooperar com o Estado e com as demais entidades competentes em tudo que interesse à Arte Nacional e ao desenvolvimento da cultura artística."

A S.N.B.A., com mais de cem anos de actividade, tem um perfil próprio, que emana dum modo de ser dos artistas; tem tradições que honram a vida cultural portuguesa, afirmadas ao longo da sua existência, herdadas algumas já do século XIX. Efectivamente a S.N.B.A. foi fundada em 1901, resultando da fusão de duas prestigiosas associações de artistas, a Sociedade Promotora (1860) e o Grémio Artístico (1890), este descendente do conhecido "Grupo do Leão". Mantendo de um modo geral os mesmos princípios das outras instituições, procurou desde o início desenvolver uma acção mais diversificada e também mais eficaz no campo artístico nacional. Uma iniciativa das mais relevantes, logo no seu começo, foi a criação da Sede cujo projecto, aprovado oficialmente em 1906, deu lugar ao nobre edifício construído nos princípios da década seguinte na Rua Barata Salgueiro, imóvel hoje já histórico e importante valor arquitectónico e patrimonial da Cidade.

O seu primeiro Director foi o Pintor José Malhoa, figura das mais relevantes da vida artística do seu tempo, tão dedicado à causa comum que legou uma bolsa de estudos a ser atribuída pela S.N.B.A.   E sempre a S.N.B.A. foi dirigida por artistas, entre os melhores na sua arte, com reconhecido civismo, força de carácter e respeitabilidade pública.   Muitos foram os que devotadamente puseram a sua inteligência e a sua capacidade de trabalho ao serviço das causas comuns dos artistas portugueses e da cultura nacional, centenas de homens e mulheres de boa vontade que trabalharam desinteressadamente, sem nunca auferirem qualquer pagamento pelos seus serviços.   Naturalmente, a própria S.N.B.A. reconhece o mérito cultural e o espírito associativo, elegendo alguns como Sócios Honorários, sócios cujo mérito é tão indiscutível que todo o País tem, também, de reconhecer.   Na devida altura o Presidente da República agraciou dois artistas que eram Sócios Honorários da S.N.B.A., os Pintores Abel Manta e Carlos Botelho, infelizmente já desaparecidos do nosso convívio.

Já em 1917, a S.N.B.A. homenageava o Pintor António Ramalho; em l925, organizou o "Dia de Carlos Reis", com grande projecção na imprensa; e, Malhoa, em 1928. A estes artistas e outros como Columbano, Grupo do Leão, Abel Salazar, dedicou ainda importantes exposições.

A S.N.B.A. é pioneira a diversos títulos. Desde logo, a sua organização faz dela uma notável e constante escola de civismo e de democracia. Democraticamente organizada, a associação é representativa dos artistas portugueses nos seus anseios e capacidades. Sempre a S.N.B.A. soube responder às necessidades da política cultural, ao longo das décadas do século, sob diversos regimes, sem perda da sua integridade moral. Sempre com claro discernimento das realidades portuguesas soube intervir na vida cultural e cívica. E nunca deixou de fazer ouvir a sua voz, sendo generosa na oferta da sua experiência. A S.N.B.A deu sempre o seu avisado conselho aos Ministérios, que lho pediram. Outras vezes, terá feito sentir a voz do protesto, que é ainda um modo leal de concretizar o seu dever de colaborar com o Estado. E com tal zelo o fez, que nunca esse conselho ou esse protesto feito em nome dos artistas portugueses foi por estes desmentidos, o que revela bem a maturidade desta associação.

Da sua democraticidade orgânica resulta a manutenção de uma grande vitalidade, maugrado momentos de dificuldade gerados apenas por falta de apoios económicos, faltas que não é inverosímil relacionar com o espírito de independência desta Instituição

Nos domínios mais estritamente culturais, o pioneirismo da S.N.B.A. revelou-se nos diversos tipos das numerosas exposições que organizou e na sua actividade pedagógica. É a S.N.B.A. que com mais frequência tem realizado as exposições colectivas de livre concurso, em todas as modalidades, sendo sem dúvida através delas que melhor se pode colher uma informação do que os artistas portugueses têm realizado. Outras exposições temáticas têm também sido organizadas, perspectivando a actividade artística dos mais diversos modos, tudo contribuindo para mostrar em todas as suas facetas a arte portuguesa, as suas tendências, as suas personalidades. Não é raro que, obras que são marcos importantes da arte portuguesa do século XX, foram expostas pela primeira vez nos seus Salões, seja "O Fado" de Malhoa, em 1917, ou "O Almoço do Trolha" de Júlio Pomar, em 1947, para citar apenas dois casos entre os muitos que estiveram em consonância com as épocas.

Mas não apenas nas exposições colectivas e individuais a S.N.B.A. tem prestado um serviço único no nosso País, revelando pintores, escultores, arquitectos. Os próprios catálogos têm sido por vezes inovadores quer no aspecto gráfico quer introduzindo reproduções, algumas a cores logo em 1902 nos começos do processo da fotogravura. Também a S.N.B.A. foi pioneira ao realizar a 1ª Exposição de Aguarela (1914), à qual se seguiram outras como a 1ª Exposição de Fotografia (1923), ao mesmo tempo que se preocupou em promover outro tipo de exposições, como seja de humoristas e anos mais tarde de Artes Gráficas.

Sempre respeitou o modo como os artistas se organizam, aceitando por exemplo, exposições regulares do Grupo "Silva Porto", quase todos os anos entre 1927 e os anos 40, ou agrupamentos como os "Cinco Independentes", em 1923 (Dordio Gomes, Henrique Franco, Francisco Franco, Diogo de Macedo, Abel Manta e, a convite destes, Eduardo Viana, Almada Negreiros, Milly Possoz), entre muitos outros acontecimentos. Abriu-se à manifestação de novas gerações, de intervenções modernas, como as Exposições dos Independentes, em 1930 e 1935. E, já depois da última guerra mundial, enquanto mantinha exposições de tipo tradicional, abria as suas portas a novos tipos de intervenção da arte na vida social, intervenção mais intensa e mais ampla, reunindo numerosos artistas plásticos (e com eles, poetas e músicos que realizavam recitais e concertos) nas Exposições Gerais de Artes Plásticas organizadas entre 1946 e 1956, o que não deixou de incentivar o relançamento em termos modernos das artes decorativas da tapeçaria e da gravura.

Desde 1958, tornou-se também anual a realização de uma ou mais exposições de Arte Moderna. Estas exposições colectivas, onde por vezes o Estado instituiu prémios, constituem o mais significativo da orientação estética da S.N.B.A., e revelam bem a evolução da actividade artística portuguesa, não deixando de respeitar sempre os direitos de todos. Os Corpos Directivos têm sabido administrar os espaços e os calendários de um modo que possa satisfazer as necessidades mais variadas. Esta atenção a uma acção diversificada e ampla, com responsabilidade a nível nacional, faz com que a S.N.B.A. se interesse pela descentralização cultural, promovendo ou colaborando em realizações na Província.  Já em princípios dos   anos 30 assumiu a responsabilidade cultural do Salão do Estoril, e respectiva atribuição de prémios; e, como deste muitos outros.

Local vivo de encontro de artistas portugueses e do seu público a sede da S.N.B.A. tem apresentado também numerosas exposições de arte estrangeira, facilitando e promovendo o intercâmbio cultural. Mas a Sede é também um local privilegiado de acção pedagógica e de investigação histórica. Organizou uma Biblioteca especializada com arquivo de catálogos desde final do Séc. XIX e de notícias desde 1925. Os estatutos sempre exigiram esta acção. Procurando servir todos os interessados tem mantido e ampliado aquela Biblioteca e criou aulas diurnas e nocturnas, desde o tempo em que Malhoa, Veloso Salgado, Columbano, Carlos Reis, Condeixa, Roque Gameiro, Mário Augusto e outros artistas puseram o seu saber ao serviço dos sócios, até ao actual Curso de Formação Artística. Iniciado em l965, tendo sido pioneiro em Portugal no ensino do Design e da Sociologia da Arte, por exemplo. Este C.F.A. tem-se adaptado ao longo dos anos às necessidades culturais, experimenta novos métodos pedagógicos ao nível da prática e da teoria, foi dotado de novas instalações para as aulas no presente ano-lectivo.

Naturalmente ciclos de palestras, apoio à educação pela arte, conferências, exposições didácticas sobre os mais diversos temas, encontros com artistas, discussões públicas, etc., entroncam nesta acção pedagógica aberta para os problemas contemporâneos. Dezenas de personalidades marcantes do nosso meio artístico nela têm participado, podendo lembrar-se os artistas Rolando Sá Nogueira, Manuel Tainha, Sena da Silva, Daciano Costa, José Cândido, Fernando Conduto, Rocha de Sousa, Quintino Sebastião, e os historiadores e ensaístas José-Augusto França, Ferreira de Almeida, José Blanc de Portugal, Ernesto de Sousa, Adriano de Gusmão, Santos Simões, Rui Mário Gonçalves, e muitos outros valores da arte e da cultura nacionais.

As associações representativas dos artistas das várias modalidades têm encontrado sempre na S.N.B.A. um auxílio não apenas moral, mas também material, facilitando as instalações, como é o caso da Associação dos Arquitectos Portugueses da Associação dos Designers e Secção Portuguesa da AICA. Muitas sessões de cine-clubes e de grupos de teatro têm sido realizadas na sua sede.

Não deveria deixar de se registar a colaboração prestada a Museus e outras instituições culturais, tanto do Estado como particulares, nacionais ou estrangeiras, dedicadas às artes plásticas ou a outras artes.  Refere-se o estabelecimento de parcerias com Câmaras Municipais e com entidades promotoras e patrocinadoras de eventos culturais, entre as quais se destacam, mais recentemente, a Fundação Calouste Gulbenkian, o Instituto Açoriano de Cultura, a Fundação EDP e a Fundação Cupertino de Miranda.

Para recordar as suas acções a nível internacional, poderíamos distinguir a Exposição AICA-PHILAE-SNBA, realizada aquando do XXº Congresso da Association Internationale des Critiques d'Art, em Lisboa, em l986, exposição apresentada no Salão da S.N.B.A., e em que os artistas portugueses foram premiados por um Júri constituído por críticos de prestígio internacional.

A Sociedade Nacional Belas-Artes conta, presentemente com cerca de 233 Sócios Efectivos, 544 Sócios Titulares e 55 Sócios Correspondentes, num total de 832 Sócios. Este número, que forma a sua massa associativa e onde se incluem a quase totalidade dos artistas criadores portugueses, especialistas e pessoas culturalmente vinculadas à vida artística, é bem significativo do papel estimulante e congregador que a Instituição tem vindo a representar, desde o início do século, através de uma acção pública que o País conhece, acção que tem concorrido, iniludivelmente, para o progresso da Arte em Portugal.

Foi, aliás, em reconhecimento desse passado e da sua acção até ao presente, que Sua Excelência o Senhor Presidente da República, General Ramalho Eanes, concedeu à Sociedade Nacional de Belas Artes, em l983, o honroso título de Membro-Honorário da Ordem do Infante D.Henrique.

Também, Sua Excelência o Senhor Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio, atribuiu à S.N.B.A., em 2004, o título de membro honorário da Ordem da Liberdade.

 

A Direcção