Exposição

Les cycles cosmiques, la vie, le rêve…

12 Jul 2019 -
 03 Ago 2019

Curadoria: Fernando Ribeiro e Jean-Michel Albert

A artista plástica francesa Yolande Tanchou dedicou toda asua vida aoencontro próximo com a arte e com o debate artístico. Não é,portantode surpreender, que jovens artistas a ela recorram com regularidade para trocar ideias e colocar questões. Ela própria alimentou um diálogo fiel com Olivier Debré (daí resultando uma exposição conjunta em 1991), tendo encontrado, na liberdade de movimentos de Alexandre Calder, uma enorme inspiração. Os três compartilharam, aliás, momentos memoráveis na região de Tours, onde estabeleceramos seus ateliers e onde Yolande Tanchou ainda vive.

Excelente colorista, cativa-nos o seu azul magnético e profundo, as suas figuras eruditas, por vezes esburacadas e desgastadas, contidas num espaço fechado que nos absorve. Se por vezes essas formas obscurecem o campo, outras vezes–e uma vez truncadoesse campo-abrem elas outro espaço de circulação que se estende para lá do quadro. Passagens, deslocações (que imaginamos lentas) de massas que param, congelando-se em constelações. Os asteróides, enigmáticos, brincam em movimentos felinos no rugido inaudível do vazio sideral.

Numa parede de fundo escuro, a materialização da volumetria(1980) em ondulações de papel revestido a gesso, cortinas que se abrem para um mundo que,através da sua ilusão barroca, apela à curiosidade e imaginação doobservador. Aquando da sua apresentação, no início dos anos de 1980, estas 3 peças foram elogiadas pela imprensa especializada, nomeadamente pela revista “L’oeil”.

Ao centro do espaço expositivo, as árvores-livros (expostas pela primeira vez no Castelo de Amboise, em 1991) questionam-nos sobre o substrato fantasístico inconsciente da escrita, como algo de universal, comum a todas as civilizações.

Os pequenos formatos de colagens abstratas (2015) impõem sua afiliação às obras mais antigas, às cortinas e às árvores-livros, reconectando-se à forma ovóide dos asteróides e integrando extratos aleatórios de manuscritos antigos.

As colagens, o papel revestido a gesso, os totens de árvores-livros e os asteróides pintados que vemos nesta exposição como representações pontuadas no tempo do universo artístico de Yolande Tanchou, tocam-nos pela sua coerência inefável, o seu traço comum e abusca generosamente compartilhada. Nenhuma geometria rigorosa existe na obra de Yolande Tanchou, mas antes o rigor implacável da interrogação e uma energia constantemente renovada em conceitos de espaço-tempo e de escrita-discurso.

Agradecimentos a Dominique Vernin, jornalista e Marie-Luce Thomas, artista visual e professora(reformada) de artes visuais na Ecole Normale de Tours, que através das nossas conversas e dos artigos que escreveram sobre Yolande Tanchou, nos permitiram convosco partilhar, através deste texto, a artista, a obra, a vida e o sonho.

Agradecemos sobretudo a Yolande Tanchou, pela amizade e confiança expressa numa exposição materializada longe dos seus olhos, mas que nela indubitavelmente se revê.

Lisboa, julho de 2019. Jean Michel Albert e Fernando Ribeiro

o artista
Yolande Tanchou
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