NOTA DE PESAR: Cruz-Filipe (1934-2026)
Licenciado em 1957 pelo Instituto Superior Técnico de Lisboa onde foi professor assistente de 1958 a 1968.
Dedicou a sua vida profissional ao sector da eletricidade, tendo sido de 1976 a 1988 Administrador da Eletricidade de Portugal. Em 1988 foi nomeado Presidente da Secção Especializada para Apoio às Privatizações pelo Ministério das Finanças.
A atividade artística iniciou em 1956 como pintor autodidata e expôs individualmente pela primeira vez em 1957, na Galeria Pórtico, Lisboa, a que se seguem duas exposições na Galeria Divulgação, Lisboa (1966, 1968).
Em 1965, expõe no Salão de Abril da Sociedade Nacional de Belas-Artes, em Lisboa, sendo distinguido com o Prémio Bolsa Malhoa.
Em 1971, é-lhe atribuído o Prémio Mobil e, em consequência, é apresentado na “Twenty Artists from Portugal”, no Hudson River Museum em New York.
Em 1973, expõe na Galeria Buchholz, em Lisboa, com apresentação de Rui Mário Gonçalves.
Em 1975 Eduardo Lourenço (1923-2020) publicou o estudo “Cruz-Filipe ou O Tempo Imaginário” na revista Colóquio, que seria republicado em 1996 no seu livro O Espelho Imaginário.
Em 1978 expõe na Galerie du Dôme em Paris e em 1981 na Galeria Patrick Cramer, em Genève, com texto introdutório de Vasco Graça Moura.
Em 1982, Ana Hatherly publica na Colóquio–Artes o texto “Rigor e ambiguidade na pintura de Cruz-Filipe”.
Em 1986 expõe individualmente no Centro de Arte Moderna e em 1987, no Centre Culturel Portugais em Paris, com texto de apresentação de José-Augusto França, e no Museu Vanreekum em Apeldorn, Holanda.
Em 1990, realiza uma exposição individual na “Murray and Isabella Rayburn Foundation”, New-York, com texto de apresentação de Hellmut Wohl.
Em 1994 é editado pela Lello & Irmão um livro, análise da sua obra, da autoria de Bernardo Pinto de Almeida, contendo ainda ensaios de leitura da sua pintura de GraçaMoura, P. Támen, A. Hatherly, R. M. Gonçalves, F. de Azevedo, F. Pernes, Guy Weelen, M. Aciaiuoli, J. Pinharanda, J. L. Porfírio, G. Castello-Lopes, A. M. Vécot, Ed. Lourenço, J. A. França, H. Wohl e F. Cabral Martins.
Em 1995 tem lugar uma retrospectiva da sua obra “Quarenta anos de pintura”, na Culturgest em Lisboa, e no Porto, na Fundação de Serralves.
Recebe o Prémio AICA – MINISTÉRIO DA CULTURA, referente a 1995.
Em 2000/01, apresenta nova exposição individual no Museu Nacional de Arte Antiga a convite do seu Director José Luís Porfírio, com textos deste e de António Tabucchi.
Em 2003 recebe o Grande Prémio BANIF de pintura.
Em 2006 é editada uma monografia sobre a sua obra, “Tratado da solidão virtuosa”, de Fátima Lambert.
Em 2024 ocorre a sua última retrospetiva “Modo de Ver,” na Gulbenkian.
Foi agraciado com o grau de “Chevalier de l’Ordre du Mérite”, pelo Governo francês.
Ricardo Cruz-Filipe era associado e amigo da SNBA.