Nota de pesar – Guilherme Parente (1940-2025)

Nota de pesar – Guilherme Parente (1940-2025)

A Sociedade Nacional de Belas-Artes apresenta as mais sentidas condolências à família e amigos, pelo falecimento do Pintor Guilherme Parente, sócio distinguido desta associação.

Natural da freguesia de Santa Maria de Belém, em Lisboa, Guilherme Metzner Serra Parente desenvolveu um percurso notável nos campos da pintura, artes gráficas, desenho e azulejaria. Iniciou a sua formação artística na Sociedade Nacional de Belas-Artes, no início da década de 1960, frequentando o curso de Pintura com Roberto Araújo; tendo-se tornado sócio da SNBA em 1963. Neste mesmo período, frequentou os cursos de gravura da Sociedade Cooperativa de Gravadores Portugueses e, entre 1968 e 1970, estudou gravura na Slade School of Fine Art, em Londres, como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian.

De regresso a Portugal, participou activamente na vida associativa da SNBA, integrando a Direcção entre 1973 e 1979 e a mesa da Assembleia Geral, de 1979 a 1982. No plano artístico, foi premiado, em 1975, com a Bolsa de Viagem José Malhoa. Em 1978, realizou as suas primeiras exposições individuais, na Galeria Módulo (Porto) e na Galeria de Arte Moderna da SNBA. Em 1976, integrou ao colectivo Grupo 5+1, juntamente com Virgílio Domingues, João Hogan, Júlio Pereira, Sérgio Pombo e Teresa Magalhães. Em 1989, voltou a ser distinguido com o Prémio de Pintura da SNBA.

Expôs no Salão da Sociedade Nacional de Belas-Artes em 1990 e em 2010, e participou ao longo da sua carreira em mais de uma centena de exposições individuais e colectivas, em Portugal e no estrangeiro, nomeadamente na Bélgica, Alemanha, França, Inglaterra, Japão e Estados Unidos da América.

Pintor de uma obra singular, marcada por um lirismo narrativo, Guilherme Parente moveu-se entre a figuração e a abstracção, criando universos simbólicos e enigmáticos que articulam harmoniosamente o deslumbramento da cor e a poética da imaginação. Eurico Gonçalves descreveu a sua obra como “um espectáculo visual, que nos seduz pelo poder contagiante da cor”, enquanto Bernardo Pinto de Almeida a interpretou como expressão de “um antiquíssimo amor pelas estrelas que afasta o receio da noite”.

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